domingo, 18 de maio de 2008

Falta de tempo

Nos dias que correm dou por mim a perguntar o porquê de mais um sem fim de coisas que me remoem o juízo.
A idade dos porquês não morre nunca. E não morre porque há sempre um “ je ne sais quois” que resiste e nos tira o sono a toda a hora.
Aqui estou eu sentada numa corriqueira estação de autocarros, embrenhada em olhar quem passa, quem vai ficando. Á espera. “Esperamos todos”, penso.
E vamos ficando assim, apinhados em hora de ponta, alguns em pé outros sentados, inventando formas e apetrechos para “queimar” tempo.
Uns com os phones “atarrachados” nos ouvidos, outros a “esfumaçar” cigarro atrás de cigarro, uma senhora que lê Lobo Antunes. ( quero ler aquele livro) e outros simplesmente que olham, como eu.
Momentos mortos, indústria do nada. Whatever. E ainda levamos a vida a queixarmo-nos de tudo o que heroicamente faríamos, não fosse a derradeira, a engenhosa falta de tempo. Não é tempo que falta aqui, meus caros. É atitude.
Gente confinada à rotina de hoje e de qualquer sempre, hibernados em redomas de vidro, preocupados exclusivamente com o facto de não dar passos maiores que o estúpido quadrado limitante e limitado ao qual se propuseram obedecer.
Fugimos todos dos olhares uns dos outros, não vá a boca querer sorrir, e depois…
Qual quê! Não se sorri! (“cada macaco no seu galho”)
E os minutos partem, as pessoas partem com eles dando lugar a outros que chegam, com novas bagagens, novos sonhos, novos quadrados.
Também eu me vou embora. Sem ter falado com alguém, sem ter sorrido a uma “alminha” sequer. E somos todos felizes assim.
Ponho a mala às costas, sigo para casa. Adeus, até segunda-feira!
P.S- Tenho mesmo que arranjar tempo para ler aquele livro.


Sofia, 2008

1 comentário:

Rui disse...

Se somos todos felizes, há quem se exceda na arte de representar.
Se não é tempo que falta, falta sempre qualquer coisa. Mesmo quando não falta nada.