Fui-me acordar para ter a certeza que ouviria de mim umas quantas frases batidas, mas sentidas alusivas á grotesca agenda de números e dias onde definha a linha em que me apoio para não ir caindo tanto. E mais uma folha que se risca, já passou e já morreu, “um dia a mais do que ontem” como dizem por aí.
É Primavera mas faz frio demais para me suportar ardida em ânsias e suores como quem não vê um palmo à frente dos olhos. Começa tudo a enublar-se, quanto mais fundo me arrumo, nas folhas rasgadas de outros “carnavais” que releio em jeito de repescar o melhor dos piores dias que passei.
Hoje vem gente para jantar e vou sentá-los um a um como se fossem meus e vou ser eu a introduzir as palavras que me apetecer, sejam elas apenas do meu interesse.
Afinal, não é apenas por não querer estar sozinha, é por ter medo de estar sozinha. Ás vezes estou eu e o gato, às vezes está o gato e eu. Às vezes nem um nem outro. E tem que haver alguém que precise de ouvir o que eu tenho para dizer, estas paredes já se tornaram obedientes demais e deixam-me sempre frustrada enquanto se mantêm imunes em dar-me uma resposta esclarecedora ao que incansável e obsessivamente lhes impregno a escutar.
Não faço questão de pedir desculpas se me tornar maçadora quando começar deslindar os textos tantas vezes ensaiados ao espelho, de revolta, pesar e profunda sede de querer apenas um pouco mais.
Não me peçam para parar se acharem que realmente me alongo e me excedo de maneira desmedida nos meus desabafos de agora. (Juro que estou a tentar recortar os melhores momentos de mim).
Fiquem mais um bocadinho, é que preciso tanto de alguém.
É que por mais que tenha ausência de tudo, sobram-me sempre duas mãos cheias de solidão.
Sofia, 2008
sexta-feira, 23 de maio de 2008
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