Das duas uma: ou é ou não é. Trinta e cinco minutos (mais coisa, menos coisa) depois da porta fechar não me venhas dizer que afinal decidiste. Eu também não sou flor que se cheire, tantas as vezes que brinco contigo como se fosses um boneco de trapos que eu gosto de manusear e usar nos meus teatrinhos boémios. Há dias em que não me convéns, desculpa. O amor tem destas coisas, tudo muito perfeitinho é agoniante, para não dizer erróneo.
Não contes com a minha esquisitice rabugenta nessas tuas expedições ao fim da porta, nas fitas de “vou-me embora, não queres saber de mim”. Não me ponhas no mesmo saco que enches de laranjas do quintal, que eu não sou pêra doce e muito menos sumarenta. Estás farto de me veres descer as escadas e remoer cada pedacinho do que sou e eu estou farta de sarar feridas, para depois ter o corpo tatuado de cicatrizes.
Tenho a paciência a fritar com os pastéis para o almoço e não dou mais um passo além do que a minha consciência me permite.
Não me digas que sou eu a culpa de tantos pratos partidos, de tantas lágrimas choradas.
Posso gostar de ti, até assumo. Mas gosto muito mais de mim. E faz tempo que foi a última vez que cedi. Põe as mãos na cabeça, grita, faz o que quiseres. Se queres ficar, fica. Mas estás muito enganado se pensas que estou para aí interessada em mais uma cena de novela barata. Das duas uma: ou é ou não é. Ou continuamos já a viver, saltando a fase das desculpas e arrependimentos mesquinhos, ou sai porta fora e não voltes nunca mais.
É que faz-se tarde, tenho o fogão no máximo e para variar, esqueci-me de virar os pastéis.
Sofia
quinta-feira, 15 de maio de 2008
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3 comentários:
Como primeira visita, posso dizer-te que gostei do teu espaço, assim como da tua escrita. É real, concreta e clara, forte em tudo que expressa.
Olá
Venho agradecer a tua simpática visita ao meu...caos...
Quanto ao que aqui escreves...penso que urge tomar defenitivamente uma decisão! Terá de ser ela a tomá-la, não ele. Porque ela cozinha sempre no mesmo fogão e com certeza que janta na mesma mesa, dorme na mesma cama, todos os dias...Ele...não sabe se fica para jantar...A ele exigem a presença noutro lado.
A brincadeira de "toca e foge" é um jogo muitissimo perigoso para um coração, especialmente se o jogarmos demasiado tempo.
Beijinhos e até breve.
;O)
Ola
Vi um coment teu num blog ...
E vim dar uma espiada!
Gostei do teu jeito de ser,és real!
Espero ter te como amiga...
No que puder ajudar será um prazer.
Desejo te um fim de semana cheio paz e amor.
Deixo te um beijo doce
M@ri@
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