Dei por mim a pensar que é nestes dias que ainda espero que me entres pela casa dentro com um sorriso rasgado na cara, de malas às costas e perfume a condizer.
Que não precises de dizer que ficas, que seja eu adivinhar pelo jeito como te moves desta vez, com rota definida e as coordenadas todas palmilhadas de cada pedaço de chão que pisas.
Deixa que seja eu a pedir que me abraces e não me atires areia para os olhos ao vires dizer-me o quanto estou bonita de manhã. Deixa-me olhar para ti e adivinhar-te com as pontas dos dedos, subindo e descendo cada centímetro da tua respiração e do teu gemer elegante quando te abraço com um bocadinho mais de força.
Eu desligo a televisão, não quero ouvir nada além de ti. Hoje não vou precisar de perguntar se ficas para jantar, a que horas te exigem noutro lado, hoje ficas e pronto. Ponto.
Não me venhas com histórias e mais histórias de “toca e foge”, “volto já” que não estou interessada noutro capítulo dessa banda desenhada que dizes sempre em tom conformista, ser a vida.
Aconchega-te a mim e diz que eu te sou suficiente. Não, melhor! Que eu te sou essencial.E quando eu te pedir para me abraçar, abraça-me, não tenhas medo de gastar os abraços e os beijos e os silêncios necessários e breves.
Podes deixar tudo onde está. Podes deixar tudo como está.
Apenas não me faças acreditar uma e outra vez que não passo de um farrapo sonâmbulo numa noite vestida de insónias.
Sofia, 2008
quinta-feira, 15 de maio de 2008
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