Dê por onde der ,hás-de lembrar para sempre o que não disse. Não procuro sombra amena debaixo de uma árvore recortada, se o sol tende a entrar pela areia quente que nos afoga os pés, mas é som de trovoada que vem ao fundo, consigo pressenti-la, como as palavras tuas que aí virão. Engoles o ar de uma vez só, como quem se prepara para o expelir em palavras metaforizadas, de modo a não caíres em desgraça e me ferires de nódoas negras e arritmias inúmeras. Eu própria me serpenteio sem lucidez, embrenhada em erguer casulos protectores à minha volta, ainda que frágeis e descabidos, são a muralha que te exponho em meu redor. E tu a pensares que seria mais fácil se eu não te afagasse o cabelo, se não fosse preciso chamares-me à razão, que fosse eu a entender-me como intrusa, como carta fora do baralho.
Assumir que nos perdemos é injusto, se os nossos dedos ainda se cruzam em nó e a saudade me morde de raiva nos dias que os nossos passos se enfrentam por estradas diferentes. Talvez até haja uma descompensação, talvez o nosso pecado passe em sermos constantes espectadores de mentiras que camuflamos de verdades só para nos sentirmos de maneira livre e encenada, felizes.
Caio do alto da montanha e aceito-me suportar o teu discurso atrapalhado e conclusivo, há momentos que são inevitáveis. Mas não me peças para falar seja o que for depois de terminares a “serenata“. O meu desmoronar interior já faz barulho suficiente para que oiças a trinta passos a tempestade infernal em que me encontro. Está bem. Que fique apenas a certeza que não voltarei a estar disponível em catálogos de romances de bolso, dê por onde der, hás-de lembrar para sempre o que não disse.
Sofia, Agosto 2008
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
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1 comentário:
Percebo.entendo,e fico em silencio!
(lanterna azul)
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