quinta-feira, 3 de julho de 2008

Traz-me flores, uma pequenina para eu pôr no cabelo. Enche-me o colo delas, para que não sobre nem um pedacinho de mim a descoberto. Se quiseres podes ficar, temos tanto para dizer. Já sabes como funciona, o portão está sempre aberto, é só entrares e deixares que os teus passos façam o resto por ti. Podes procurar-me em cada canto, nalgum hei-de estar certamente, não posso é ficar parada à tua espera com tanto que tenho para fazer. Lembra-me de pôr perfume, de dar um jeito perfeito no cabelo e de vestir aquele vestido justo, que me está mais largo agora. Sim, emagreci, mas não perdi as formas de curva contra curva que me apreciavas segurar.
Só estou mais leve, e comigo apenas ficaram as lembranças boas tendo o tempo se encarregado do resto. O pó que não há entre os livros que por aqui deixaste nada mais quer dizer senão a falta que me fazes e as quantas vezes que te tenho procurado folha acima, folha abaixo nestas histórias decoradas que já misturo de tanto pormenor interpretado. Cada parede desta casa ainda chora a tua ausência/ presença ambulante sempre que vens em visita de médico, como padre ou senhor dos correios. Traz-me um beijo. Pode ser breve e morno, convenhamos que já não somos um casal apaixonado. E um abraço também. De tudo o que me levaste, confesso que é dos abraços que ainda hoje me lembro cada vez que a porta se abre e eu te vejo correr casa dentro. Para assim e mais uma de tantas vezes, me vires encher de flores, o regaço.


Sofia, Julho 2008

1 comentário:

Anónimo disse...

ya...faz-me lembrar mta coisa...mas a estrada para mim foi torta,e maldosa. tive um acidente,e perdi as flores....