Serão as paredes desta casa e tudo o que dela ficará que hão-de abafar as passadas abrangentes ao misterioso presságio que agarra o soalho e tresanda a naftalina em bolas ou noutros formatos que não sei precisar. Procuro a sincera melodia de ouvir de alguém ávido de abrigo contar a falta que não causa a solidão, a frustrante aceitação de que o nosso tempo já foi, que se eram folhas, o vento as levou. Não levantamos a mão para impedir o relógio de correr, nem o conseguiríamos fazer, mesmo se o ousássemos tentar. Mas trazemos os bolsos cheios de rasgões e de feridas que perfuram até ao centro do coração, e culpamos o mundo de tudo o que nos trouxe lágrimas e lutos de viver. Quando não temos mais nada a perder acomodar parece ser sempre a solução, e depois, cruzar os braços e os pés esperando numa cadeira de baloiço uma ou duas doenças crónicas que nos apaguem a memória e nos tornem inertes a tanta inquietude e conformismo.
Cairemos do tecto como a tinta que respinga em pedaços irregulares e nos tapa ainda mais os olhos, e não serão precisas cordas para prender desejos de liberdade, porque não os irá haver, não depois de nos entregarmos ao destino como condição geneticamente determinada.
Tropecemos sem muitas gritarias e lamentemo-nos baixinho, em breve o silencio vai instalar-se e não seremos mais do que pó na janela. Serão as paredes desta casa e tudo o que dela ficará que hão-de abafar as passadas abrangentes ao misterioso presságio que agarra o soalho e tresanda a naftalina em bolas ou outros formatos que não sei precisar.
Sofia, Agosto 2008
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
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1 comentário:
pois...inspira tristeza!!
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