segunda-feira, 7 de julho de 2008

"Porque é que fodemos o amor? “

Miguel Sousa Tavares responde:

“Porque não resistimos. É do mal que nos faz. Parece estar mesmo a pedir. De resto, ninguém suporta viver um amor que não esteja pelo menos parcialmente fodido. Tem que haver escombros. Tem de haver esperança. Tem de haver progresso para pior e desejo de regresso a um tempo mais feliz. Um amor só um bocado fodido pode ser a coisa mais bonita deste mundo."



Eu digo que não dá para acreditar em finais felizes. Não os há. Não os inventem. Cambada de lamechas e lunáticos! Vão em vez disso encher os ombros de casualidades, dispersem-se nos dias fumarentos, limitem-se a não beber mais do que três cafés por dia, a pagar as contas a tempo e a afogar as malditas histórias de amor em litros de cerveja. O amor é o mesmo que conduzir em dias de nevoeiro. Uma manobra de fugir à solidão individual a que todos estamos definitivamente condenados. O amor é a pior das dores de dentes, a mais dolorosa das enxaquecas, a derradeira e espicaçante dor menstrual .
Não vale a pena perdermos tempo a procurá-lo, a escrevê-lo, a cantá-lo. O amor é aquele espacinho de tempo entre o acordado e o adormecido em que inconscientemente pensamos que o mundo pesaria menos se o carregássemos com alguém.

Sofia, Julho 2008

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