segunda-feira, 12 de maio de 2008

Em jeito de " Boas vindas".

Não vale a pena procurar sem ter vontade de encontrar, tal como não vale a pena mentir. Ligas-me hoje e amanhã outra vez e os dias passam e nós passamos com eles e o que fica é pouco para o muito em que apostei. E uma chávena de café, que tem chá, não interessa. Caiu. Caco a caco deixei-a ficar. Não consigo desviar os olhos das pinturas berrantes de tão secas das paredes ásperas e frias do meu quarto. E vejo as fotos, aquelas que em tempos foram, aquelas que nos sugaram a alma e a cuspiram para sempre num balde de lixo de esquina. E lá está tu a surgires-me outra vez das mãos, obrigando-me a desenhar-te preto no branco. Continuas esguio, magro, alto, perfumado e as tuas mãos...espera que fico sem fôlego. Passo-te um risco por cima, não te posso continuar a recortar e a fazer colagens com pedaços de ti que já não são meus.
O chão é madeira podre e os cacos da chávena de café, que enchi com chá abrem caminho por entre os tacos do soalho. O telefone toca e eu tenho que atender, porque sei que és tu, só podes ser tu. O chão dilata e um caco dos cacos crava o meu pé a fundo. Mas só podes ser tu e é agora que as fotografias vão cheirar a polaroid renascida. O telefone toca, o pé esvai-se em sangue e eu corro para atender.
Era engano. Na verdade, acho que sempre foi. Tudo o que sobra é um chão de madeira podre banhado a sangue. Só resta a presença insuficiente da esperança necessária que arrastei.

Sofia, 2008

2 comentários:

paula disse...

Bem vinda =D

*

Anónimo disse...

Upa upa...
Ela escreve muito, ela canta muito, muito bem sim senhora...

Tava tentado a dizer que já meréçes chamar-me primo... LOL

Luis